Olho seus olhos que gritam

E calo

Me dobro cá dentro em piche – negrito

Desespero diminuto e infinito diante de um trem que não para

Nunca



Um jorro branco e quente lava os seus olhos

Que gritam, e eu acredito

Plenitude: em dias de ressaca – calmaria

Mas sempre... o fluxo ininterrupto do tempo

Do trem



Olho seus olhos que gritam

O incansável escoamento dos trilhos

Olho seus olhos

E como é bonito, o trem da minha vida.





Renato Tardivo é Psicanalista, escritor, mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte. Autor do livro de contos "Do Avesso" (Com-Arte).


 

Olhos que gritam


Por Renato Tardivo

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

 
 
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